Entrevista 1: O impacto da educação na sociedade e seu desempenho no Brasil
Introdução: Nesta entrevista, discutiremos o impacto da educação na
sociedade, como as suas consequências a curto e longo prazo, além de seu
desempenho no Brasil, tais como, investimento dos governantes neste quesito e
os problemas enfrentados pelos pesquisadores remetentes a falta de verba nesta
área.
1- Apresentação pessoal
do entrevistado
Lidiane Fernandes
Mamoni, licenciada em Letras-Língua Portuguesa pela UNICAMP em 2012 e
professora de Língua Portuguesa da rede pública estadual de São Paulo.
2- Como era a adesão à universidade quando
você prestou o vestibular?
A adesão começava a se expandir devido a
implantação de programas de auxílio, como o Prouni, porém a baixa, quase nula,
divulgação em escolas públicas e a necessidade de ingressar no mercado de
trabalho ainda inibiam bastante a adesão da camada social a qual pertenço.
3-Qual o impacto da educação na sociedade?
Muito alto. Hoje, devido ao modelo de
educação adotado, a escola ainda é o principal responsável pela manutenção das
desigualdades sociais e da ideologia dominante.
4- Na sua opinião, o
modelo educacional brasileiro é eficaz?
Sim. Se analisarmos do ponto de vista de uma educação
transgressora e capaz de superar as desigualdades sociais, construir
conhecimento, melhorar a qualidade de vida e formar cidadãos críticos, a
educação teria falhado em seus resultados, mas não são esses os objetivos do modelo
educacional brasileiro atual. A
educação, mesmo sob outras máscaras, apenas reproduz o sistema de divisão de
classes e valida as desigualdades sociais geradas pelo modelo social vigente.
Assim, o fracasso escolar, principalmente nas escolas da rede pública que
atendem as classes mais baixas, é a regra a ser encontrada e não a exceção a
ser combatida, no máximo maquiada para gerar satisfações a quem analisa os
índices. Por esse motivo, o modelo educacional brasileiro é eficaz, ele cumpre
sua função.
5- O que você pensa a
respeito do investimento na educação pelos governantes?
O
investimento em educação só seria necessário se um modelo educacional crítico
fosse adotado. Nos modelos atuais, crítico-reprodutivistas e tecnicistas, o
investimento se torna obsoleto pois a educação já cumpre seu papel e seu
sucateamento é o fim desejado.
6- Na sua opinião,
porque muitas crianças do Brasil possuem uma grande deficiência em seu processo
educacional quando entram no ensino médio?
A
educação tecnicista anula a autoridade do professor em sala de aula e o
protagonismo do estudante, fabricando as deficiências encontradas nos
ingressantes do ensino médio, pois tiram-lhes a possibilidade de contato com a
educação formal e os expõem a uma educação semelhante a uma linha de produção,
sem criticidade, responsabilização ou até mesmo significação alguma.
Outro
fator de grande importância para a deficiência fabricada pela escola é o
afastamento desta com a comunidade na qual está inserida. Se a pergunta for
feita a qualquer pessoal, nenhuma negaria a importância do estudo e da escola,
mas poucas saberiam detalhar o funcionamento e os objetivos das escolas de suas
comunidades. Até mesmo para os que estão inseridos nessa instituição,
trabalhando nela, estudando ou com filhos que a frequentam, a explicação do
funcionamento da mesma e de seus objetivos seria algo difícil. Chego até a
ousar dizer que muitos não reconhecem as deficiências dos alunos ali inseridos
e não se atribuem essa responsabilidade.
7- O que você pensa a
respeito das cotas nos vestibulares?
As
cotas nos vestibulares são de extrema importância para corrigir desigualdades
sociais fabricadas por injustiças históricas. Mas enquanto essa medida não for
somada a um modelo crítico de educação, seus efeitos não deixarão de ser apenas
superficiais e jamais alcançarão os objetivos pretendidos.
8- O que você pensa a
respeito dos problemas enfrentados pelos pesquisadores remetentes a falta de
verba na educação?
Lamento
pela falta de verbas destinadas a pesquisa tanto quanto lamento a falta de
infraestrutura e insumos básicos nas escolas de educação básica. Na verdade,
lamento mais pela precariedade na educação básica pois essa atinge um maior
número de pessoas.
O
investimento adequado em educação só seria implementado com uma alteração de
modelo educacional que aproximasse comunidade, escola e universidade visando a
superação de desigualdades sociais, a qualidade de vida e o bem-estar. Com o
modelo atual os investimentos serão priorizados à produção.
9- O que você pensa a respeito
da reforma do ensino médio?
A
reforma do Ensino Médio é o fim previsível do modelo educacional vigente, que
preza o tecnicismo e não o raciocínio crítico, a existência e não a
essência. A adesão, ou falta de crítica,
da maior parte da população nos mostra a eficiência da educação aplicada com o
modelo vigente e os anteriores. Quando se permite uma reforma educacional
imposta verticalmente e sem a participação da população e dos principais atores
da educação (professores, alunos e demais especialistas) fica evidente o
tecnicismo desta e a função obsoleta do professor, justificado seu baixo
salário e prestígio, o automatismo do sistema de aprendizagem e o
aprofundamento raso de conteúdos formais.
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