Entrevista 2



Entrevistamos o  Prof. Dr. Luís A. A. Meira, professor da Faculdade de Tecnologia da Unicamp em Limeira. Na entrevista, Meira fala sobre como escolheu a área de T.I, comenta um pouco sobre as atividades do professor na Unicamp em questão de lecionar e desenvolver pesquisas e também fala sobre a quantidade de mulheres nos cursos de T.I e a quantidade de mulheres lecionando aulas na faculdade.

  1. Como você descobriu que queria trabalhar na área de T.I?


A afinidade com a área de exatas surgiu já na primeira infância, a partir dos 6 anos de idade. Entre as diversas possibilidade que eu tinha no vestibular, optei pela área de TI que, em 1997, estava em grande expansão.


  1. Você se sente realizado por ter a oportunidade de lecionar na UNICAMP?


Sim. Muito.
  1. Os seus pais também são formados? Isso de alguma forma influenciou na sua decisão de fazer graduação e vir trabalhar na área acadêmica?


Meu pai é formado em agronomia e matemática. Minha mãe é formada em ciências. Ambos são professores e contribuíram muito para a minha trajetória profissional.


  1. Atualmente, os professores da UNICAMP possuem a obrigação de lecionar e também desenvolver pesquisas. Qual a sua opinião sobre isso?


O termo "opinião" diz respeito a uma visão confusa acerca da realidade (https://pt.wikipedia.org/wiki/Opini%C3%A3o), tendo até profissionais "formadores de opinião". É fato que o professor da UNICAMP divide suas atividades em ensino, pesquisa, administração e extensão. Também existe uma confusão no termo "desenvolver pesquisa". Desenvolver pesquisa não é sentar em frente o computador e começar a escrever um artigo. A pesquisa diz respeito, em parte, a formação de recursos humanos, orientação, pós graduação, iniciação científica. O aluno que tem oportunidade de desenvolver atividades científicas em sua graduação tem um diferencial. Assim, a pesquisa colabora com atividades de ensino.


  1. Você gosta tanto de lecionar quanto de desenvolver pesquisas ou prefere mais um lado do que outro?


Gosto muito de lecionar e de fazer pesquisa. Além da percepção do professor, existe a percepção da instituição. No momento em que um professor progride na carreira ele é avaliado em ensino, pesquisa, extensão e administração. O peso que a instituição dá a estes ítens não é necessariamente igual ao peso dado pelo docente.


  1. Em relação a produção científica no Brasil, você acha que existe muito pouco investimento? Por que?


O Brasil investe de maneira razoável em ciência. Os cortes aos recursos do CNPq nos últimos anos geraram uma situação grave na manutenção das bolsas de mestrado e doutorado. Isso precisa ser revisto.


  1. Outro assunto bastante presente, é a pouca quantidade de mulheres na área de T.I. Na sua opinião, por que isso ocorre?


A decisão da área profissional é feita muito cedo, em torno dos 15 anos. Nesse momento, é tomada uma decisão com informações imprecisas e muitas fantasias. Por exemplo, alunos podem decidir fazer T.I. porque gostam de jogar video-game.


Precisaríamos conversar com as jovens vestibulandas para descobrir por que razão T.I. tem gerado pouco interesse. No passado havia mais mulheres na área.


Dou aula de programação para Engenharia Ambiental, onde há predominância de mulheres. O desempenho é igual ou superior ao curso dado para alunos de T.I.

  1. Qual seria a solução para que as mulheres se interessassem mais pela área de T.I.?


Mais informações sobre a área para as jovens vestibulandas.


  1. Você já ouviu algum relato ou já presenciou algum momento em que uma mulher que trabalhava junto com você foi desrespeitada? Se sim conte como foi.


Já presenciei desrespeito de pessoas em vários contextos, mas sem um vínculo ao gênero.


  1. Na sua opinião, existem poucas mulheres lecionando aulas nas faculdades?

Tenho muitas colegas professoras na FT. Talvez mais de 50% dos professores da FT sejam mulheres.

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